VÊ
Antero ValérioIsto é arte? Esta é uma pergunta que muitas vezes ouvimos em galerias de arte e museus.
Afinal o que é uma obra de arte? O que é o trabalho do artista ou “operador plástico”? Robert Rauschenberg dizia que nenhum artista honesto “produz” arte. Ama arte. Vive arte. Faz aquilo que é impelido a fazer e que ninguém o pode impedir de fazer. Básicamente, os artistas trabalham por impulso. Não é uma escolha, é uma necessidade de fazer coisas.
Essa necessidade é um veículo de transmissão de informação relativo à sua actividade mental. Nesta linha de pensamento, Marcel Duchamp foi ainda mais longe ao definir o artista como alguém capaz de repensar o mundo e refazer o significado através da linguagem, em vez de ser apenas produtor de objectos para o prazer visual. A comunicação esteve sempre presente naquilo a que chamamos artes plásticas e tem adquirido diferentes formas de expressão e linhas de pensamento ao longo dos tempos.
A presença da ideia, do conceito, tornou-se frequentemente mais forte do que a presença formal do objecto.
No seu “What thinks me now”, John Baldessari escreveu estar menos interessado na forma que a arte toma do que no significado que a imagem evoca.
Os trabalhos desta exposição são resultado de ideias concretizadas ao longo de anos para meu próprio prazer. Decidi agora apresentá-los. Aprecio a ambivalência entre a imagem e a palavra. Ambas usam códigos para transmitir a sua mensagem.Se uma imagem vale por mil palavras, posso dizer que uma palavra, uma frase, provocam em mim muitas imagens. Penso que a arte está, acima de tudo, na cabeça do observador. No seu “banco de memórias interno”. O conceito é transferir informação de um objecto para uma outra memória e desencadear novas associações de ideias.
