Requiem to a dying planet
Hugo Feio MachadoÉ com apoio da Cooperativa de Comunicação e Cultura que vos apresento “Requiem to a Dying Planet”, um projecto de fotografia documental inédito em Portugal. Este trabalho foi mostrado anteriormente, em Newport-País de Gales, Cardiff-Barry e Londres, em 2009, 2011, 2012, 2013 e 2015. O projecto foi enquadrado inicialmente como um projecto final, de um BA em Documentary Photography, realizado na University of Wales – Newport.
É um trabalho que explora, através da fotografia, a Agricultura de Subsistência e Sustentabilidade, que começou a ser fotografado em Janeiro de 2009. Sendo a sua concepção e estratégias para fotografar, de Outubro 2008. A ideia inicial que se mantém, é observar as hortas e pessoas que as criam, para entender como se utiliza a morfologia e as técnicas agrícolas para a produção de alimento e o sustento.
Foi pensado de raiz para ser um livro por cada morfologia, criando assim capítulos autónomos que ao serem juntos criariam “Requiem to a Dying Planet”. Assim, cada local investigado teria a sua identidade mantendo a coerência global e enfatizando a ideia de agricultura de subsistência. Procurei seleccionar as morfologias e as relações com a geografia para cada projecto. Usando a lógica, cultivar com falta de água, em montanhas, na cidade e no frio rigoroso. De forma a criar uma linha condutora que mantivesse uma coerência, mantive o uso da mesma película para todos os projectos, neste caso kodak.
Nos projectos “Flora’s Song” e “Warm Ground”, fiz uso de duas lentes primárias com a ajuda de tripé e flash, que se mantinha livre da maquina fotográfica de formato 6x7. O processo de produção realizou-se em duas visitas. A primeira de cerca de 20 dias a fotografar e uma segunda viagem para fazer umas fotos que faltavam, o que realizei em cerca de uma semana. No ano seguinte, em Dezembro de 2010, viajei para Trás-os-Montes, onde estive cerca de 10 dias a fotografar. As montanhas e os vales são particulares, e assim surge “Warm ground”.
Com o “My own plot Project—MOPP”, procurei explorar o espaço urbano como lugar onde há gente que acredita e necessita do potencial para retirar alguma comida. O projecto usou como estratégia, a repetição do enquadramento, com uma periodicidade mensal, para criar uma visão anual e assim sentir as diferenças de cada estação. Ao utilizar a minha própria horta caseira, resolvi procurar outras pessoas que o fizessem em lugares não regulados para o propósito, suas casas. Eu queria ter acesso ao lado privado dos produtores. A cidade devia ter um aspecto visual distinto, mais escuro e com esse parâmetro tirei fotos ao lusco fusco fotográfico. Inventei um efeito fotográfico que me ajudava a falar da relação do espaço criado e das pessoas que o criam. Ao disparar o flash, os sujeitos devem sair de cena, e a imagem deve continuar a ser realizada. A maquina fotográfica de fole, com o formato 4x5 polegadas, que utilizei requer um procedimento específico que é demorado. O enquadramento da moldura para a repetição da imagem na escuridão, requereu paciência e determinação, pois envolvia imenso equipamento extra. O efeito adquire lembranças com o método sandwich e da dupla exposição, mas é executado com um disparo único. Produzi assim uma imagem fantasmagórica, técnica à qual apelidei, Gostly Effect.
Para finalizar “Requiem to a Dying Planet”, gostaria de continuar a investigação e criar o último capítulo, sobre agricultura de subsistência no frio rigoroso.
Hugo Feio Machado. 1977, Lisboa
Estudou no curso de Artes no Liceu e seguiu para a licenciatura em Arquitectura em 1996. Em 1999 muda- se para o Reino Unido onde residiu, 18 anos que foram de extrema importância na sua formação fotográfica e académica, assim como na sua evolução pessoal.
No Reino Unido explorou com toda a sua determinação a paixão por fotografia. Foi com os estudos em Documentary Photography que elevou o seu entendimento e pensamento sobre narrativa e imagem, tendo feito uma licenciatura e mestrado nesse tema. As primeiras exposições foram realizadas em País de Gales e Inglaterra, não tendo até a data exposto fora do Reino Unido. Regressa a Portugal em 2017 e muda- se para Torres Vedras, onde reside e trabalha.


