Aspectos do Vazio
PonceEste trabalho de Jorge Ponce está divido em duas fase: a primeira constou de uma performance pública, onde o artista procurou confrontar passeantes desprevenidos com uma inusual experiência contemplativa, produzindo posteriormente um vídeo em que se realça a correspondência da respiração com o ritmo primordial do cosmo. Cada fôlego é uma descontinuidade entre a existência e a sua suspensão, metáfora da circulação dos eventos, do dia e da noite, do retraimento e da expansão do Universo, do despertar e do dormir, enfim, dos ciclos que constituem o processo total a que chamamos Vida.
A segunda fase do trabalho é composta por uma acção solitária. Em retiro são elaborados cento e oito desenhos que, conjuntamente com a projecção de vídeo, darão forma final à exposição. A soma exata de 180 desenhos corresponde ao número de contas do “terço” budista (…)
Finalmente, o que une a prática do desenho à meditação da plena atenção é o empreendimento constante no estilhaçar da forma, uma vez que, e ao invés do propósito surrealizante, a incansável actividade da mente é aqui encarada como um bruburinho necessariamente a dissipar.
