Sessão de cinema

Memória Viva

Filme-diário de Joana Maria Sousa

10 Jun 2026

O Centro de Cultura Contemporânea 13 vai reabrir portas no dia 10 de junho, às 17h30, para a exibição do filme-diário e exposição “Memória Viva” de Joana Maria Sousa. Fiquem connosco após a sessão para um pequeno arraial popular de comemoração do Dia de Portugal!

Sinopse

“Memória Viva” nasceu de uma ausência profundamente pessoal: a falta de relação com os meus avós. Cresci com a sensação de existir um espaço vazio dentro de mim, feito de conversas que nunca tive, afetos que nunca vivi e memórias que nunca cheguei a construir. Quando iniciei este projeto com uma comunidade sénior, acreditava que estava à procura dessas peças em falta.

Mas o filme acabou por se transformar noutra coisa.

Enquanto filmava estas pessoas, comecei inesperadamente a reconhecer nelas os meus próprios pais. O projeto deixou de ser apenas sobre os avós que não tive e tornou-se um confronto com o próprio tempo: o envelhecimento, a fragilidade, a solidão, o medo e a inevitabilidade da passagem da vida. Pela primeira vez, senti o envelhecimento não como uma ideia abstrata, mas como algo profundamente próximo.

Influenciada pela abordagem íntima e pessoal de Agnès Varda, quis criar um filme onde a câmara não fosse invisível nem emocionalmente distante. Assumi a minha própria presença, dúvidas e transformação emocional como parte da própria linguagem cinematográfica. “Memória Viva” tornou-se assim um filme-diário, construído através de encontros, silêncios, retratos e reflexões em voz-off que se movem entre a observação documental e a confissão pessoal.

Mais do que procurar respostas definitivas, comecei a interessar-me pelas perguntas que permaneceram: como lidamos com a ausência? Como enfrentamos a passagem do tempo? Como criamos ligação apesar do medo?

No meio de todas estas incertezas, encontrei algo inesperado: o afeto, a escuta e a proximidade que sempre imaginei existir na relação entre avós e netos.

Este filme é, no fundo, menos sobre perda e mais sobre a possibilidade de ligação humana. Um gesto de escuta, presença e vulnerabilidade partilhada entre desconhecidos que, aos poucos, se tornaram família.

— Entrada livre