Exposição

Wabi Sabi

Carlos Pereira
12.11.2022 — 31.12.2022

Nos últimos anos, o Extremo-Oriente tem estado muito presente nos projectos de viagens que tenho vindo a concretizar, e uma das consequências mais imediatas desse facto, foi o surgimento de um interesse e curiosidade crescentes, sobre os povos e as culturas dos países visitados.

Foi assim que me cruzei com o Wabi Sabi. Wabi Sabi é um conceito estético e uma forma de estar na vida, que remonta ao século XV, está relacionado com o Zen Budismo, e que se centra na aceitação da imperfeição e da transitoriedade. Wabi, está directamente relacionado com as emoções geradas a partir da beleza da simplicidade. Sabi, refere-se à beleza profunda e tranquila que decorre da passagem do tempo sobre pessoas e coisas. É uma beleza que nos transporta, a cada momento, para o ciclo natural da vida.

Apesar de ser algo que as pessoas sempre conheceram, existe uma enorme dificuldade na verbalização do conceito, talvez devido ao facto de ser “algo que está subjacente à psicologia do povo japonês”; o Wabi Sabi vive, ao mesmo tempo, no limiar da consciência e do coração de cada pessoa.

O Wabi Sabi é um estado de alma!

Este conceito está intrinsecamente ligado a um tipo de beleza que nos remete para a transitoriedade da Vida, mas mais do que uma forma de olhar para a beleza de todas as coisas, é o impacto que essa beleza tem em cada um de nós, e a nossa reacção individual a essa mesma beleza que, verdadeiramente, constitui a essência do Wabi Sabi.

É uma forma de estar, viver e sentir a Vida, que tem por base três ideias essenciais: Ver e vivenciar o mundo com o coração, altera profundamente a forma como o sentimos; A simplicidade comporta beleza, tranquilidade e conforto; Todos os Seres e todas as coisas, são incompletas, imperfeitas e impermanentes.

Esta descoberta rapidamente se transformou num desafio, o de olhar o mundo que nos rodeia à procura de beleza nas coisas simples e imperfeitas, adoptando uma atitude de despojamento e desapego face aos paradigmas ocidentais de modernidade, consumo e busca da perfeição que nos são incutidos a cada momento.

Como referencial estético, estimulou uma abordagem ao processo criativo tendo por base ideais de beleza bastante distintos dos padrões contemporâneos, contribuindo assim para a promoção de novas gramáticas visuais.

É a partir deste contexto, em que apenas se abordam algumas das camadas mais superficiais do conceito, cujos ensinamentos remontam a muitos séculos atrás, que me propus ensaiar uma abordagem à interpretação e representação imagética de alguns dos pilares sobre os quais assentam os princípios do Wabi Sabi.

“As coisas wabi-sabi não precisam da garantia de status ou da validação da cultura de mercado. Não precisam de documentação de proveniência. Wabi-sabi-ness de forma alguma depende do conhecimento do background ou personalidade do criador. Na verdade, é melhor que o criador seja indistinto, invisível ou anónimo”.—Leonard Koren

Carlos Pereira Torres Vedras, 1958

Formação em fotografia em Lisboa, Bruxelas e Santa Fé, Novo México. Formador de Composição no Instituto Português de Fotografia.

Exposições: Preto & Branco (Torres Vedras, 2016); paintographic memories (Porto, 2012); Exposición Fotográfica Solidária (Santiago de Querétaro, 2012); Fotógrafos Portugueses, colectiva (Bruxelas, 2012); por onde passo, deixo um pouco de mim (Lisboa, 2011); Dunas (Torres Vedras, 2009).

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