Exposição

Multiverso — Um Regresso ao Futuro

Temporada jan’23 — set’23
14.01.2023

Multiverso—Um regresso ao futuro
Não existe uma realidade definitiva, nem uma ficção absoluta.

A ficção permite-nos construir cenários inexplorados, ou por explorar convenientemente, oferecendo-nos a possibilidade de tomarmos consciência ou de nos tornarmos sensíveis a um determinado problema. Não se utiliza acidentalmente a ficção; usa-se a ficção de forma premeditada. “Multiverso - Um regresso ao futuro” propõe a construção de ficções e, como consequência, equacionará os limites das artes visuais enquanto prática e a sua utilidade transformadora. Na sua génese técnica e formal, o projecto apresentado determinar-se-á na apresentação pública de exposições de um grupo heterogéneo de artistas convidados. O maior contributo destas exposições provirá da tensão—aquela que decorre da amplificação das possibilidades de articulação da ficção com as artes visuais quando estas reconhecem as tradições consolidadas da literatura e do cinema (identificando os seus mecanismos, adaptando as suas práticas, interpretando os seus resultados), e que encoraja a colisão destes universos criativos.

No “Multiverso - Um regresso ao futuro” somos convidados a viajar activa e simultaneamente entre o passado, o presente e o futuro. A hipótese que é lançada no subtítulo do projecto—Não existe uma realidade definitiva, nem uma ficção absoluta—de repensar criticamente o passado e construir cenários especulativos que antecipam o futuro, torna-se o elemento chave para a apreensão dos ideias que orbitam o multiverso que a Cooperativa almeja criar, desbravar e ramificar com o este programa de exposições. Com o passado, a valorização da carga simbólica, do legado material e da representação iconográfica de diferentes culturas através da revisitação dos seus contornos; No presente, o olhar crítico sobre a frágil efemeridade dos acontecimentos do nosso século e o impacto que estes têm no nosso planeta; Para o futuro, a aproximação colectiva de uma narrativa artística que demonstra a natureza transformativa da arte, isto é, a arte representa, através do seu poder crítico, um ‘acordar de consciências’ (Herbert Marcuse, 1977) por apontar as verdades do mundo e descodificar a realidade.

Para a execução do programa, a Cooperativa faz uso da adaptação—prática recorrente em cinema e teatro que corresponde à utilização de obras literárias para a construção de guiões e dramaturgias. “Multiverso—Um regresso ao futuro” propõe aplicar esta tradição e prática criativa ao universo da programação cultural. Construir-se-ão ficções, isto é, universos paralelos—apresentações públicas sobre a forma de exposição. Planeam-se 11 exposições protagonizadas por X artistas, que na sua prática artística respondem aos meandros da ficção que é proposta no Multiverso da Cooperativa: um acto de revisão e interpretação, adição, expansão, derivação e ou comentário. Para a concertação do painel de artistas convidados e respectivas obras, a direcção artística da Cooperativa serviu-se das seguintes temáticas: Filmografia—Ficção Científica (período entre 1900-1990), Ficção com Assinatura de Autor (período entre 1950-2022); Literatura—Factos/Ficção (Bruce Sterling), Cinema/Arte; Design—Design Fiction (coletivo Metahaven), Design e Sustentabilidade (Tony Fry). No seguimento destes pressupostos, projecta-se apresentar X exposições de artes plásticas, X exposições de fotografia e X exposições de design de produto.

Este programa será desenvolvido nos vários espaços que constituem o património da Cooperativa, a Galeria da Câmara Clara, no edifício sede e a Galeria da Câmara Escura no edifício homónimo. O objectivo é tirar maior proveito das diversas potencialidades de cada edifício, adequando cada um à especificidade do programa que se apresenta, bem como dos públicos que irá mediar e envolver.

O progresso e a transformação social exigem um espaço para o pensamento e para a acção que resistem ao ‘status quo’ possível. Com a apresentação destes universos paralelos, o que é sugerido no programa da Cooperativa não é uma fuga da realidade social e/ou a separação entre cultura e sociedade. Pelo contrário, a esta ficção serve de alimento e crítica a realidade que nos assola. Neste sentido, o ideais produzidos pelas artes devem actuar no seio da sociedade como ideias transformadoras. Partindo do pressuposto que as artes visuais, assim como outras linguagens criativas, sofreram mudanças profundas, da mesma forma o contexto histórico e o próprio sistema das artes em que elas estão inseridas também se transforma.