Start. Do. Repeat
Diogo GonçalvesO ser humano assimila o seu lado somático e o seu lado psíquico logo no começo da sua formação. O corpo interage com o ambiente, a matéria nasce-lhe nas mãos. A psique fica consciente do objeto, conhece a sua função.
O tato, destacado sentido como o mais habilidoso dos cinco, parte à descoberta do espaço, medindo o cheio e o vazio, enchendo a natureza de forças misteriosas. A mão, instintiva, faz. Aprende onde mora o peso, sente a textura, age na luz e enfrenta o desconhecido.
O ego acorda. O mundo acontece.
Até que, a automatização do gesto, prosseguindo para a segurança de um sistema quase irracional, torna este ser refém do crescer no mundo. Agindo como o seu educador, este é o sentido que repete e distingue o humano no espaço e no tempo.
Do artista Diogo, o conjunto de peças enunciadas no espaço expositivo são uma ode ao gesto, tal ‘Elogio’ (Focillon, 1934), que se reparte entre ‘Beginning’, ‘Sem título’ e ‘Repetir o espaço’. Correspondendo a um período de produção entre 2020 e 2022, estes trabalhos refletem uma energia de transição do artista e do seu trabalho.
O espectador é conduzido pelos os elementos que melhor caraterizam a prática artística de Diogo Gonçalves. A Camâra Escura, desdobrando uma memorável paisagem, é transformada num campo de investigação sobre os conceitos de corpo e de espaço, fazendo da performatividade da mão, como do observador, o mote da sua prática.
O consistente uso da polaridade nas suas obras, elemento que simultaneamente encripta e descodifica conceitos de corporeidade e gesto, se por um lado regista um espaço negativo rasgado por sabres, invadido por linhas e dividido em planos energéticos, traz, pelo oposto, a anulação do vazio e a abertura de uma clareira percorrida pela mão do artista.
Os seus mais recentes trabalhos, transpondo elementos do mundo físico para o mundo digital, repetindo-os, entram no campo da artificialidade para estudar a automatização e a trans-humanização do corpo e dos sentidos. Funcionando como módulos catalisadores, eles eternizam o gesto, tornando-o um valioso material nas suas composições.
Diogo Gonçalves (1990)
Vive e trabalha em Lisboa. Licenciado em Artes Visuais e Multimédia - Variante Escultura pela Universidade de Évora (2010/2014). Mestrado em Estudos de Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2014/2018).
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
Untitled - Kunst Off Space Narrenkastle (2021) Graz, AT; Line Up In Space - Biblioteca Camões (2020) Lisboa, PT; Segmento Volátil - Museu de Lisboa Teatro Romano (2019) Lisboa, PT.
EXPOSIÇÕES COLECTIVAS
Mechanics of reality - Artemis Gallery (2022) Lisboa, PT; Electric Dreams - Artemis Gallery (2021) Lisboa, PT; Curating Obstacles - Serra da Arrábida (2021) Setúbal, PT; Lines of Thought - CICA Museum (2020) Coreia do Sul, SI; XI Bienal Internacional de Arte Jovem - Biblioteca Municipal Prof. Machado Vilela (2020) Vila Verde, PT; Quantos A4 cabem no Á-Quatro - Coletivo Tarimba (2020) Lisboa, PT; Tridimensionalidade Aparente - Galeria António Prates (2020) Lisboa, PT; Saturnalia - Museu de Lisboa Teatro Romano (2019) Lisboa, PT; 12x12 - Galeria Arte Graça (2019) Lisboa, PT; Saturnalia - Museu de Lisboa Teatro Romano (2019) Lisboa, PT; DU - Destination Unknown (2019) Weert, Nl; AIR4 - Ravnikar Gallery Space (2019) Ljubljana, Sl ; 12x12 - Galeria Arte Graça (2018) Lisboa, Pt; Periplos/Arte Portugués De Hoy - CAC Málaga (2016) Málaga, ES; FDUL Experience - Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (2015) Lisboa, PT; Pedreira dos Sons (2014) Viana do Alentejo, PT; Levantamento das pestes (2014) Évora, PT; Amieira Marina Art Fest - Alqueva (2013) Évora, PT; Uma simples Medida e um Gesto Arriscado - Universidade de Évora (2013) Évora, PT; Tempo e o Modo - Museu de Évora (2013) Évora, PT.
PUBLICAÇÕES
Electric Dreams - Artemis Art Gallery, PT; DU 2020 - Stichting Destination Unknown, NL; XI Bienal Internacional de Arte Jovem Vila Verde Município Vila Verde, PT; Tridimensionalidade Aparente - Galeria António Prates, PT; Segmento Volátil - Museu de Lisboa Teatro Romano - EGEAC, PT; Rearrangement of material - DU - Destination Unknown, NL; Portugal: Open Window to the World - Imago Mundi, Contemporary Artists from Portugal - Luciano Benetton Collection, ES.
COLECÇÕES
CICA Museum, KR; Fundação António Prates, PT; Fundação Calouste Gulbenkian, Pt; Fondazione Benetton Studi Ricerche, IT; CAC Modern Art Center, ES; Colecções privadas, PT, SI, AT, DE.
RESIDÊNCIA
Du (2019) Weert, NL.

