Paisagens Desabitadas
Bruno José SilvaA modernidade raramente é associada a ruínas. Em vez disso, a cidade impôs às mentes contemporâneas as estruturas monumentais antigas e encantadas; um mundo de sonhos arqueológicos como as que encontramos no roteiro very typical. No entanto, nunca foram produzidas tantas ruínas e tornadas redundantes, como hoje, centros comercias fechados, terrenos industriais abandonados, cidades destruídas, casas de apartamentos vazias a palácios capitalistas mortos.
No meio do ruído da cidade, existem espaços que são estranhamente silenciosos e esquecidos – os espaços abandonados e vazios urbanos. A impressão que temos sobre esses espaços causam no percurso quotidiano um certo desconforto. São espaços que lidam com o tempo, ou melhor, com os tempos da cidade contemporânea. É uma palavra fantasmagórica de detritos modernos em decomposição, principalmente deixada fora de preocupações. Esta marginalização é uma preocupação do projeto “paisagens desabitadas”, que explora o esquecimento das ruínas e leva-me a questionar o quanto pertenço à cidade e se poderei julgá-la ou participar na sua dinâmica.
