O Gozo
Nuno Vasa“O Gozo” (2007), obra que serve de mote a estas palavras, revela uma vez mais a tensa relação que se estabelece entre sujeito e imagem. Deste conjunto de vinte e quatro imagens (uma clara aproximação do autor ao próprio mecanismo do medium cinematográfico e aos seus vinte quatro frames por segundo) existe um denominador comum: a dolorosa impossibilidade de aceder de forma automática a um discurso directo. Esta instalação situa-se, por isso, nas margens da impossibilidade. Com efeito, tal como muitas das imagens mediáticas, este trabalho de Vasa existe enquanto matéria possível, mas produz uma inevitável sensação de impossível e de inatingível.
As imagens de “O Gozo” falam por si e despertarão certamente, no espectador as mais díspares sensações. No entanto, e correndo o risco de afectar o “gozo” de cada um, fica a advertência do próprio criador:
”Algumas destas imagens são extremamente chocantes e suscetíveis de ferir a sensibilidade”.
