Exposição

Marília Viegas

Pintura, Desenho, Gravura
05.02.1984 — 24.02.1984

A ideia de que a pintura se limita a um espaço planos e de que é adversa ao “ilusionismo” da terceira dimensão pode ter significado um avanço esclarecedor sobre os equívocos que envolviam essa linguagem ou pode — ela mesma, a ideia — ter-se constituído num equívoco redutivo e perfeitamente dispensável.

(…) A pintura de Marília Viegas parece (e aparece) formulada em torno de uma noção de espaço em profundidade, partindo de arquitecturas que não existem. O que esse espaço nos propõe é uma espécie de olhares em “plano fixo” para dentro de perspectivas onde a memória do real se transforma profundamente numa memória da ficção. Cada plano já foi viagem, cada arquitectura já foi história.

Quando alguém afirmou que a pintura é coisa mental terá estado perto de concluir que toda a pintura é metafísica. A “ilustração” dessa nuance, ou desse pensar que a imagem pictórica nos pode propor, está contida (de certa maneira, obviamente) nesta série de pinturas e desenhos de M. V. Aqui, com efeito, as aparências finitas e planas da pintura servem sobretudo para nos confrontar com a dimensão de infinito que nunca saberemos apreender.

TextoRocha de Sousa