K + Uunniivveerrssee
André Sierk. + uunniivveerrssee reúne selecções das séries k. e uunniivveerrssee de André Sier. Ambientes computacionais dinâmicos, fixados em instalações, impressões, esculturas. Ambientes que exploram geração de espaços virtuais navegáveis infinitos e propõem modelos multimodais da criação do universo. Nestas séries, todas as peças são geradas através de algoritmos que correm no computador e produzem interações, objetos, impressões.
"A série k. tem sido desenvolvida, em vários suportes, desde 2007, a partir do romance O Castelo (1926), de Franz Kafka, em que o protagonista é K., um agrimensor contratado por erro pelas autoridades do Conde Oeste-Oeste. A série iniciou-se com o ambiente jogável k. (2007)e é constituída pelas suas derivações: a instalação k.~ (2010), a instalação k.astelo (2010-11) e os resultados deste processo – as impressões .tga de screen stills (2009) e as esculturas .stl topográficas (2010-11). Para criar k., Sier programou um código-fonte com 5021 linhas de código java. A navegação possibilita a entrada do utilizador em 4,294,967,295 espaços distintos – onde apenas num se encontra o castelo do Conde Oeste-Oeste. Ao recolher quadrados – como que juntando informação de pixels, tal como K. faz nas diversas conversas com os aldeãos –, o utilizador muda de nível, tendo acesso a novos territórios onde se geram algoritmicamente edifícios, espirais, vazios e quadrados."
in A nomeação da obra de arte: k. de André Sier texto por BYPASS para a exposição k.@ appleton square 2011
[...] algumas noções a ter em conta quando vemos, ouvimos, sentimos, percebemos e interagimos com qualquer das peças que fazem parte de “uunniivveerrssee.net”: 1) o ambiente de perceção é multi-modal: espaço, objeto, som, imagem, interação, retroação, fantasma, conexão, rede, partilha, suspensão, intervalo, continuação, potencial. 2) “uunniivveerrssee.net” não é um mundo finito, mas uma cosmogonia de possibilidades, computacionalmente gerada sobre bases digitais com várias extensões (32-bits e 64-bits). Neste caso, as frases “fui ver a exposição do André”, ou “gostei das instalações do Sier”, são incompletas e descrevem apenas a memória de uma perceção muito incompleta e de duração mínima da realidade potencial inscrita nas obras de arte oferecidas, cuja apreensão exige, na realidade, o tempo aparentemente infinito dos jogos 3) as criaturas impressas e retiradas do mundo digital de possibilidades inscritas ou desencadeadas pela interação humano--máquina — um jogo, individual ou coletivo, aleatório ou construído, partilhado ou simplesmente cumulativo de possibilidades — são a prova percetiva, sensorial e física de uma emergência real, bem mais para cá, portanto, do que os universos meramente ficcionais ou simplesmente virtuais da pré-história da arte generativa e cognitiva em geral.
in *Coisa mental, “seeds rather than forests”*, texto por António Cerveira Pinto no catálogo da exposição uunniivveerrssee.net @ Museu de São Roque, Lisboa, 2011
