Exposição

Enquanto Houver Um Folião na Rua...

Vanessa Éffe
03.03.2017 — 28.03.2017

Enquanto houver um folião na rua...

É com o maior prazer que escrevo a nota introdutória desta exposição da Vanessa Éffe, não só pelo facto do Carnaval de Torres Vedras me ter um grande significado pessoal, mas essencialmente pela amizade que tenho pela autora destas ilustrações, que não nasceu torreense, mas já é tão ou mais desta terra do que tantos outros que aqui vieram nascer.

Sobre o Carnaval em si não há muito a dizer, senão reforçar o papel agregador que possui enquanto a maior manifestação cultural e comunitária de Torres Vedras - essa força centrípeta que aproxima as pessoas e as faz acreditar que, pelo menos, enquanto o Carnaval dura, todos somos um e o mesmo corpo: o corpo do folião.

Mais do que mera folia, o Carnaval é um conjunto de preceitos, um conjunto de detalhes. Se para o forasteiro, à primeira vista, podem parecer enigmáticos, para os locais e para os genuínos apreciadores desta festa, cada uma destas convenções significa algo de profundamente enraizado na identidade cultural e simbólica desta cidade (por esta altura, mais temida que a aldeia dos gauleses no Astérix...).

Este conjunto de ilustrações, além de nos fazer recordar algumas das figuras mais emblemáticas do nosso Carnaval, impõe ao observador algumas propostas micro narrativas. Em cada imagem, insinua-se uma história, uma daquelas histórias insólitas e rocambolescas que acontecem no Carnaval e ficam nesse mesmo Carnaval, como um segredo bem guardado.

No traço da Vanessa Éffe e neste conjunto de obras, fica muito bem representado aquele que é tido como o mais português de todos os Carnavais. Nestas ilustrações desenha-se, com o humor que é sempre tão característico da autora, uma visão muito pessoal daquele Carnaval que tem o poder viral de contagiar toda a gente, fazendo-nos cair numa espécie de vertigem, bem para dentro desse magma convulso de corpos em agitação e folia...

“Enquanto houver um folião na rua, o Carnaval continua.” - diz-se por aí e quem somos nós para não acreditar...?

TextoMário Verino Rosado
LocalGaleria Câmara Clara