Endless Conveyor
Inês RaposoEndless conveyor remete para possibilidade humana de revisitar, através de memórias, lugares, pensamentos, acontecimentos ou emoções. Criando uma poética cíclica onde se desenvolvem narrativas com reminiscências biográficas e políticas.
A exposição começa com a pintura de uma escada rolante (“endless conveyor”, 2024) que fiz depois de ler Things I Don’t Want to Know. A primeira parte da trilogia de Levy (Things I Don’t Want to Know) é uma obra autobiográfica, de política de género e filosofia que surge como resposta ao famoso ensaio Why I Write de George Orwell. Nesta obra Levy debruça-se sobre a necessidade de escrever relacionando-a com a sua história de vida e da carreira de escritora enquanto mulher.
O objeto “escalators’’ surge logo nas três primeiras páginas do livro de Levy como um objeto que transporta a narradora para um espaço emocional.
“It was as if the momentum of the escalator carrying me forwards and upwards was a physical expression of a conversation I was having with myself. Escalators, which in the early days of their invention were know as ‘travelling staircases’ or ‘magic stairways’, had mysteriously become danger zones.”
“If escalators had became machines with torrid emotionality (…).”
E nas últimas duas páginas do livro:
“I had told the Chinese shopkeeper that to become a writer I had to learn to interrupt, to speak up, to speak a little louder, and then louder, and then to speak in my own voice which is not loud at all. My expedition with him had taken me to places I did not want to visit. I had not expected to return from Africa while sheltering from a snowstorm in Majorca. Yet, as my friend pointed out, Africa was not Africa when I found myself back on the moving escalators in London. If I thought nothing of ancient attitudes inscribed by Nathan Ames of Massachusetts, who had met me that escalators, or the ‘revolving stairs’ he patented in 1859 and then redrawn by engineer Jesse Reno, were first described to the modern world as an ‘endless conveyor’.”
O desenho desta exposição de pintura tem como ponto de partida a ideia de deslocamento temporal que a escada rolante representa para Deborah Levy. Na seleção destas pinturas, pensei nos pequenos deslocamentos do quotidiano que fiz nos últimos três anos, como a afirmação de Levy quando escreve que as pulseiras de miçangas feitas para crianças foram feitas por rostos infantis que ficaram ficcionados.
Influenciada por imagens do meu dia a dia que me pareceram tanto um conto de fadas ou até o planeta Kitchen Weapons (2023) que construí durante longas noites em 2019, ou ainda das grandes batatas no filme Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxeles de Chantal Akerman, ou ainda a Vénus de Botticelli (1480) que aparece a jogar a bola num campo de futebol. Trabalhei nesta exposição com a questão política e filosófica que é a necessidade de criar.
Biografia ArtistaInês Raposo (Pragal, 1995) é artista visual.
Licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. Vive e trabalha em Lisboa.
Tem vindo a participar em exposições nas quais se destacam:
- Gato/Rato na Safra. Lisboa (2024)
- Be my Guest na Galeria Nave. Lisboa (2024)
- 9th edition of Casa da Dona Laura. Lisboa (2024)
- Blind Taste na Arbag — organizada pelos artistas Pedro Matos e Ricardo Passaporte. Lisboa (2024)
- Não se convida 13 para jantar na Dialogue Gallery. Lisboa (2023)
- Estudo do Meio (+18) organizada pela Purga (Isabel Cordovil e Rudi Brito) nas Carpintarias de São Lázaro. Lisboa (2023)
- Algo se Mexeu no Útero. Lisboa (2022)
- De Mais Gumes na Mato. Lisboa (2020)
- Confidências pela Pousio Arte e Cultura (2020)
- Jet Lag na Galeria Liminare. Lisboa (2019)
- Résvés na Casa do Sal. Castro Marim (2019)
- Mãos na Oslo National Academy Of The Arts. Noruega (2017)


