Exposição

Double Exposure Halo

Vasco Barata
20.04.2017 — 31.07.2017

Vasco Barata tem vindo a desenvolver um corpo de trabalho intimamente ligado ao que habitualmente designamos por imagem. A especificidade desta prática define-se, num campo tão largado e contraditório como o da própria definição do seu sujeito, pela constante procura de imagens e, mais especificamente, na arte contemporânea, por uma forma de relação ou diálogo entre iguais: imagem e indivíduo.

Desde a antiga Grécia até aos dias de hoje o fenómeno imagético tem-se constituído como um campo fértil de especulações e problematização. Como lidar com um “sonho acordado”? Um “dejá vu”? Uma aparição? Um anúncio publicitário? Uma fotografia? Um fantasma? A imaginação?

Somos habitantes de um mundo de imagens que nos escapa e, a cada dia, a realidade prova-nos a incapacidade geral para lidarmos com a imagem de uma forma equilibrada (milhões de selfies diárias são um sintoma agudo da relação intensa, e certamente desigual, que mantemos com essa singularidade).

Para nos movermos entre imagens ser-nos-á sempre exigido um léxico particular. A técnica e tecnologia foram certamente um avanço: “exposição”, “profundidade de campo”, “revelação”, “aberração cromática”, são apenas alguns exemplos de conceitos que operam a uma distância próxima da imagem. Antes destes, outros foram também utilizados com a função de nos guiar …

“Fantasma”, “sonho”, “espelho”, “espectro” são palavras pré-tecnologia, que transportam um modo de conhecimento e relação particular com as imagens e que, caíndo em desuso, se perderá com elas o conhecimento específico que contêm.

Não será, por isso, coincidência a pequena publicação produzida e editada pela CCCTV no âmbito desta exposição que, como um pequeno guia ou manual de instruções, nos apresenta uma multiplicidade de textos ou palavras particulares em torno de duas ideias – Fantasmas e Simetria – acompanhados pelas imagens expostas na galeria.

No âmbito desta exposição, Vasco Barata recorre a algumas destas nomeações como forma de as (re)activar/ relembrar, bem como às suas capacidades específicas de entendimento e relação com as imagens. Em Double Exposure Halo encontramo-nos, portanto, na presença de imagens que convocam palavras, que convocam modos de ver particulares.

LocalGaleria Câmara Escura