Exposição

Cronografias de Torres

Vasco Torres
28.03.2015 — 16.05.2015

Tendo como ponto de partida o tema das Linhas de Torres ontem e hoje, nesta exposição estão presentes não só as Linhas de Torres (Vedras), mas também as Linhas de (Vasco) Torres, as linhas em que se baseia o trabalho artístico deste pintor que adoptou há já longos anos a cidade de Torres Vedras como sua casa.

Como o título da exposição sugere, as imagens nela apresentadas acabam por ser cronografias - narrações escritas e/ou visuais segundo a ordem dos acontecimentos; crónicas; registos gráficos de intervalos de tempo no decurso de uma observação (como se pode ver em qualquer dicionário). Este conceito é aqui adaptado às artes plásticas e retomado na curadoria de uma exposição em cujas obras surge um cruzamento de referências de ontem e de hoje sobre uma marca territorial e estratégica - as Linhas de Torres - que foi absolutamente determinante no desenrolar dos acontecimentos históricos integrados na Guerra Peninsular do início do século XIX, os quais ainda hoje, mais de duzentos anos volvidos, continuam a ser relatados e celebrados.

Vasco Torres convida-nos assim a lançar um novo olhar sobre a História e as histórias por detrás da História, ora (re)visitando-a, ora, de modo inverso, trazendo as Linhas de Torres das sombras do passado para a luz (mais ou menos difusa) da contemporaneidade, através de uma simbiose de registos reminiscentes de diversas correntes artísticas, desde o expressionismo à arte conceptual ou ao dadaísmo, passando ainda por uma aparente influência de outras disciplinas das artes visuais, como a fotografia e o design gráfico. No âmbito destas opções, próprias da identidade artística do pintor, intervêm a reinvenção, recontextualização e subversão de recortes de imagens, palavras, frases e símbolos, conjugados nas suas “colagens-documentário”. Esses elementos são aqui combinados de forma original, adquirindo novos significados, por vezes, com uma certa dose de humor e irreverência, e com os tons monocromáticos e sóbrios do preto e branco a serem envolvidos e reanimados pelas manchas expressivas de cor, em que predominam o azul e o vermelho - a três tempos, as cores de França, as cores do Reino Unido e as cores de Torres Vedras.

Nestas cronografias visuais desfilam desde as figuras históricas que protagonizaram os acontecimentos ligados às Linhas de Torres, aos actores que as representaram no filme “Linhas de Wellington”, numa interessante ponte entre passado e presente que quase faz com que pareça que nesses rectângulos de cor e não-cor, de luz e sombra, de linha e mancha, a pintura e a assemblage de registos gráficos nestas “colagens-documentário” se transformam numa outra dimensão, em que espaços e tempos se confundem, em que pedaços de História(s) e de contemporaneidade(s) se tocam, e em que aquelas personagens nos olham e querem ser olhadas.

CuradoriaInês Mourão
TextoInês Joaquim
LocalGaleria Câmara Clara