Cartazes
Sebastião Rodrigues, José Brandão, Aurelindo CeiaEntre estas criações da idade tecnológica devemos em primeiro lugar voltar a nossa atenção para alguns domínios importantes: o do desenho industrial, da gráfica, da fotografia e, naturalmente, do cinema e das artes visuais que utilizam novos materiais e mecanismos derivados da industrialização. Pelo que diz respeito à chamada “arte gráfica” e que compreende todos os sectores que vão do cartaz publicitário, do lettering, aos desdobráveis, à paginação de livros, jornais, etc., numa palavra, aqueles produtos visuais executados quer manualmente quer fotograficamente, mas sempre com vista a uma produção gráfica—tipográfica, litográfica, serigráfica—em muito vasta escala, de maneira a poder ser difundida à medida do jornal ou do manifesto; e é preciso antes de mais nada insistir sobre a importância—positiva e negativa—que teve a publicidade para toda a estrutura económico-social dos nossos dias.
(…) Uma última característica, enfim, é constituida pela possibilidade de reprodutibilidade em série de imagens, tornada possível pelo advento dos meios mecânicos de reprodução. No caso da fotografia e do cartaz a sua infinita reiteribilidade deu sério golpe no conceito de “unicidade” da obra, que dominara os séculos passados.
Esta unicidade do elemento artístico é apenas parcialmente prejudicada, porque o que conta é sempre a ideia que levou à realização da obra.
Gillo Dorfles(*)
(*) Crítico de arte nascido em Trieste, em 1910, é desde 1956, professor de Estética na Universidade de Milão. O presente texto, escrito em 1967, é retirado da obra “Oscilações do Gosto”, editada em Portugal por Livros Horizonte em 1974.
