URB(e)
António Vieira, Luís Farrolas, Sérgio DomingosDa Cidade.
Ocupamos o espaço por consequência. Estamos ali. Imaginamos uma
Utopia
e a Cidade Perfeita. Projectamos jardins para os taludes de terra que sobram nas vias de acesso à Cidade e a realidade deixa-nos com hortas urbanas. Ocupamos o espaço por consequência e com Vontade. A Utopia não se projecta. A Utopia faz-se de sonhos de auto-subsistência, de memórias das nossas origens, das memórias dos nossos avós e dos nossos pais. Imaginamos a Cidade Perfeita, mas tal coisa é impossível. Por cada metro quadrado de rua, por cada metro quadrado de espaço público, a Cidade tem uma área muito maior que nunca se conhece,
Restrita.
No bloco de apartamentos, atrás dos portões do condomínio fechado, em todos os escritórios que existem logo a seguir ao segurança fardado sentado à secretária e nos inúmeros quintais de traseiras que não poderemos conhecer. A Cidade é principalmente constituída por espaços Restritos, privados. Ninguém conhece uma cidade. Só pode achar que a conhece. A Cidade cresce por consequência, um reflexo da cultura, cresce rápida e
Brutal,
imaginada como uma máquina eficaz da Utopia, feita para a vida rápida, cresce para o Homem Urbano - um componente dessa máquina.
