Singular do plural
Sérgio AiresGente como toda a gente
"Quando um punhado de “homens bons” redigiram e propuseram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, encimaram-na, no seu artigo primeiro, com uma determinação óbvia e aparentemente indiscutível aos olhos de qualquer ser racional:
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
Esta liberdade, igualdade e fraternidade, que já vem de trás, benzida com muito sangue, ao ser proposta e proclamada em 1948, revela a necessidade do Mundo reafirmar, reclamar e consolidar tais valores.
Embora se trate de uma afirmação generalista, que não nasce para visar ou proteger especificamente os ciganos, ela olha e inspira-se no passado deste povo, como também de outros povos igualmente atormentados.
Não são muitos os acasos da vida e se a Declaração tem trinta artigos, não é por acaso que este mandamento é o primeiro, estando à frente de todos os outros.
Volvidos quase setenta anos, ainda temos necessidade de avivar o que determina o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
É uma necessidade que não se cinge só aos Roma, é verdade, mas, em Portugal, as circunstâncias da vida e de futuro desta comunidade obriga a um maior cuidado de cidadania.
O “Singular do Plural” responde a esta necessidade de reafirmação de direitos fundamentais e aos cuidados de cidadania a que todos estamos obrigados.
Com estes retratos, como em todo e qualquer retrato, há a figura e há a pessoa, na certeza que cada pessoa é uma figura, com traços, com expressões, com saberes, com experiências, com expectativas, com objetivos, com uma história.
São gente como toda a gente. Este é o grande objetivo da exposição: que descubramos que o nosso semelhante é semelhante a nós.
Dar a cara, participar nesta iniciativa, colaborar com a Rede Europeia Anti Pobreza, com o Sérgio Aires, com a Maria José Vicente e com o Padre Jardim, foi um privilégio para mim, consciente de que sou um cigano privilegiado, não pelo que construí, mas pela educação que os meus pais me proporcionaram.
Disfrutem da exposição e lembrem-se que, por detrás de cada retrato, há uma história, há uma vida, há uma pessoa."
