Exposição

Rio — Uma geografia sentimental

João Henriques
27.07.2020 — 04.09.2020

Neste projecto, João Henriques explorou visualmente o território onde nasceu, e também a sua família mais próxima, entre a nascente e a foz do Rio Nabão, na região entre Ansião e Tomar.

A água enquanto suporte temático e as ligações da família com o território remetem para uma “geografia sentimental”, termo que, no entanto, procura exceder o sentimentalismo visual, antes plasmando-se em algo que pode ser simultaneamente objetivo e subjetivo, pessoal e coletivo, que remete ao ver e ao sentir e aquilo que está na superfície, mas também na profundidade.

Quiçá, a um jogo visual entre figura e fundo: até determinada altura o rio foi uma figura central no desenvolvimento regional, através da economia das fábricas de papel e de fiação que ao longo dele de implataram; actualmente, tendo já perdido este protagonismo, o rio surge como plano de fundo a outras figuras, formas e narrativas. Se a identidade fotográfica já é reconhecida como algo ambíguo, entre a arte e o documento, a fotografia enquanto representação da paisagem parece adensar essa característica, pela introdução de questões de ordem fenomenológica e do território, através da interrogação do sentido do lugar através da imagem, ou da paisagem enquanto modo de ver, ou até, de modo ecológico, da diluição da barreira invisível entre a consciência humana e o mundo natural.

O primeiro álibi que usei para faltar às aulas foi o rio Nabão, era Junho, andava no sexto ano, o calor e a aborrecida disciplina de Trabalhos Manuais pediam insistentemente por outras aventuras e águas mais refrescantes. Passados 30 anos voltei ao rio, e a estudar, o mergulho físico agora substituído pelo visual, num território ao longo do qual nasci eu e meus pais, um lugar porventura familiar, mas paradoxalmente desconhecido. Trabalho que constituiu parte da minha tese do Mestrado em Fotografia, no Instituto Politécnico de Tomar.

LocalGaleria Câmara Escura