Exposição

Conceal/Convey—Select! Select! Select!

Beatriz Neves Fernandes
14.01.2023 — 18.02.2023

O foco da exposição incide não particularmente nos próprios recipientes metálicos e no seu conteúdo mas, também, nos reflexos desfocados das figuras que estão perante eles. As propriedades formais dos cofres de metal permitem pinturas que evocam questões sobre a intenção da figura refletida - se seria ocultar ou revelar algo - uma série de pinturas que exalta o paradoxo de representar uma imagem do que não pode ser visto e a possibilidade de utilizar a observação e reflexo para formular teorias do que não é observável.

“Am I cat
Am I what

I have no idea

Most is heavy on me
Most is light

I follow the waves

I find dark boxes I don’t know
I find dark wholes I climb out of

Either free
Either not at all”

Rita Oliveira

As obras remetem para uma relutância na libertação do vício da incerteza — a fantasia patente no que é imensurável e consequentemente ambíguo ou intangível, reinos de possibilidades infinitas — e na consequente entrada no domínio terreno do material, que requer um processo de individuação, criando uma ponte permanente entre o não-ser e uma identidade definida. É sugerido o confronto com a responsabilidade que advém da concretização de uma escolha e medição — medição enquanto ato de observação de uma hipótese em detrimento de outra — descrita por Hegel como "um conflito entre diferentes modos e tipos de compreensão em que uma determinada forma está relacionada com as muitas formas que assumiu: a evolução necessária do que pode ser conhecido, mas também a sua realização infinita”. Os dois termos-chave são ‘posicionar’ e ‘pressupor’, onde o primeiro se refere ao imediatismo da existência material e o último ao seu contexto universal/ essencial, refletindo sobre a forma como a matéria/objetos adquirem significado através de determinado contexto e como isso molda noções de universalidade social.

Instiga a compreensão da realidade a partir de uma perspectiva de terceira pessoa, não como seres humanos ou animais, mas como objetos disponíveis universalmente enquanto símbolo ou sujeito, dispostos a serem estudados e especulados. Sugere também, inevitavelmente, uma atenção na relação entre o indivíduo e o mundo material, representado não apenas por objetos físicos como dinheiro, ouro, talismãs ou tesouros, mas também por valores abstratos como cultura, posse, estrutura, etc. O confronto com limites, barreiras e múltiplas aspirações.

Biografia Artista

Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, participa em exposições coletivas desde 2016. Destacam-se as exposições na Casa das Histórias (2016 e 2017), através do Concurso Paula Rego, no qual recebe uma Menção Honrosa em 2017. Em 2021 foi bolseira selecionada no âmbito do programa Residências Artísticas: a água como fonte de comunidade promovido e organizado pela RAMA – Residências Artísticas de Maceira e Alfeiria, com o apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras, participando posteriormente, em 2022, na exposição coletiva Uma certa prática da atenção na Galeria Municipal de Torres Vedras.

Exposições Coletivas: Uma certa prática da atenção, Galeria Municipal de Torres Vedras (Torres Vedras, 2022); Trabalho de campo: das possibilidades do que é visível, RAMA Studios, Maceira (Torres Vedras, 2021); Concurso Paula Rego, Casa das Histórias (Cascais, 2017); Mertolarte, Casa das Artes Mário Elias (Mértola, 2017); Concurso Paula Rego, Casa das Histórias (Cascais, 2016).

LocalGaleria Câmara Escura