Exposição

Cartas do Funchal

Rui Oliveira
15.02.1986 — 28.02.1986

Nos primeiros meses pintei pouco, apenas alguns desenhos azuis coloridos com lápis-de-cor.

O silêncio e o isolamento que não queria evitar obrigavam-me a viver com as cartas. Compreendera que a ilha encantada não é um simulacro, que a ilha é, como a vida, um espaço de aventura, que todas as formas são elípticas, que todas as elipses são como a vida e a ilha, possibilidades de comunicação plena.

Quase todos os dias chegava, cartas de Lisboa, mas quando havia atrasos, mesmo curtos, sentia uma grande expectativa. Em Maio, após um desses atrasos, comecei a guardar os rasgões de sobresvritos para que nada de cada carta se perdesse.